Sexta-feira foi dia de rumar a casa, com uma breve incursão pelo Alto Alentejo para ir novamente ao oftalmologista. O dia estava chuvoso e ainda conseguimos ter um furo antes de chegar ao nosso primeiro destino. Uma vez lá o médico confirmou que a minha ferida na vista tinha voltado a abrir. Receitou-me uma medicação que tenho andado a seguir religiosamente. Desta vez não saí de lá aliviada e com a sensação de que tudo vai correr pelo melhor.
Dormi mal, sempre a matutar nos acontecimentos recentes e nas tarefas que me aguardavam no dia seguinte. Sábado de manhã estava destinado a ultimar a compra do carro. Vai ser o meu primeiro carro novo. Devia estar exultante, mas não estou. Toda a gente fica contente quando troca de carro. E eu acabo por consumir-me por não o conseguir.
Para a tarde de sábado deixei outra tarefa delicada. Era suposto ir com uma amiga dar algum apoio à minha prima que está a atravessar uma situação difícil. Há aquelas pessoas que mesmo nas situações mais complicadas conseguem arranjar sempre algo acertado para dizer ou fazer. Eu não sou dessas pessoas. Para ser sincera não me consigo recordar de verdadeiramente ter conseguido ajudar ou apoiar alguém que tenha recorrido ao meu ombro. Não é uma questão de falta de disponibilidade. Eu estou lá. Não me ocorre é nada de verdadeiramente útil para dizer ou fazer. E tenho consciência disso, o que acaba por agravar a situação.
Chego à noite com os nervos em franja, e consigo pôr-me a jeito para mais uma crise. De início até tive a breve ilusão de que iria conseguir aguentar-me sozinha. Não consegui. O que me vale é haver pessoas que conseguem ter as palavras certas para mim.
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